Sempre fui aberto e honesto em minhas opiniões, o que nem sempre é bem recebido. Seria mais fácil seguir a correnteza e evitar conflitos, mas isso não faz parte de quem eu sou. Vivemos numa era em que somos literalmente inundados por informações. Hoje, é um desafio se posicionar de forma a receber apenas o que realmente nos interessa. O algoritmo "nos ajuda" a encontrar o que buscamos, mas, sem perceber, somos empurrados para a esquerda ou para a direita, e muitos de nós assumem uma postura fortemente polarizada. Quer se trate de Bolsonaro ou Lula, Republicanos ou Democratas, Rússia ou Ucrânia, Palestina ou Israel, o mundo parece estar se dividindo em facções.
Nossa profissão não está imune a essa divisão. Existem profissionais certificados, formados segundo os padrões nacionais, e amadores, que adquiriram conhecimento por meio de cursos rápidos ou pela internet. Ambos os grupos trazem suas próprias forças, mas há tensões entre eles. Em vez de nos concentrarmos nessas diferenças, devemos ver a oportunidade de aprender uns com os outros e crescer juntos. O desenvolvimento de toda a nossa área depende de nos apoiarmos mutuamente, em vez de nos dividirmos.
Temas como política, profissão, poder e eleições são frequentemente tão delicados que mal deixam espaço para discussões. No entanto, em vez de nos afastarmos uns dos outros, devemos nos concentrar no que nos une. Em nossa área, é fundamental construir pontes para promover a colaboração e o progresso.
Eu defendo uma formação profissional baseada em padrões nacionais e a promoção e o desenvolvimento de todos os envolvidos – tanto profissionais quanto amadores. Os amadores, aqueles que mudam de carreira ou as donas de casa que precisam de uma renda extra, devem, na minha opinião, ser integrados ao sistema existente. Assim, eles poderiam criar uma base sólida para suas atividades de acordo com as normas legais e, junto com os profissionais, elevar a qualidade e a reputação da profissão.
Acredito que todos aqueles que se dedicam à profissão podem contribuir de alguma forma. Não se trata de se apresentar como "melhor" ou "mais autêntico", mas sim de trabalhar juntos e aprender uns com os outros. Em todo o mundo, existem organizações como a WorldSkills, que defendem a formação profissional e promovem o intercâmbio entre escolas técnicas. Essas iniciativas mostram como a cooperação além das fronteiras é possível. Infelizmente, muitas grandes instituições privadas não estão ligadas a essas iniciativas, e muitos amadores nem sabem que essas organizações internacionais existem. Aqui vejo um grande potencial para colaboração e crescimento.
O mercado de exposições e cursos próprios cresceu muito nos últimos anos, levando a uma variedade de novas ofertas. Alguns desses programas prometem dinheiro rápido por meio do uso de produtos prontos e processos simplificados. Embora esses métodos tenham seu lugar, o objetivo a longo prazo deve ser sempre a qualidade e a sustentabilidade. Trata-se de como podemos combinar as tradições e o conhecimento do passado com as técnicas e os produtos modernos, para tirar o melhor dos dois mundos.
73% da população brasileira deseja qualidade e está disposta a pagar por isso. Quem conhece os produtos expostos em feiras sabe que muitas vezes há compromissos feitos em relação à qualidade. No entanto, podemos aprender a lidar com produtos convenientes em um nível profissional e usá-los de forma a atender às altas expectativas dos nossos clientes.
Cada decisão que tomamos deve ser baseada em uma base sólida. Quem conhece o passado entende de onde viemos e pode tomar melhores decisões para o futuro. Essa tendência de divisão prejudica nossa comunidade. Alguns lutam com baixos salários, enquanto outros se deleitam com prestígio e luxo. Mas em vez de nos deixarmos enganar por estratégias de marketing duvidosas e sucessos temporários, devemos nos concentrar no que realmente nos faz avançar: a colaboração, o compartilhamento de conhecimento e o apoio mútuo.
Eu me comprometo a trabalhar para que colaboremos, nos apoiemos e não nos enfrentemos, especialmente não com ataques abaixo da cintura. Devemos agir dentro da lei, pois quem hoje não coopera, incentiva discussões acaloradas, disputas, jogos de poder e, possivelmente, até a guerra. Isso não é o que queremos. Em vez disso, devemos aproveitar a oportunidade para construir juntos uma comunidade forte e unida, baseada no respeito, na colaboração e na qualidade.

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