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SAUERTEIG (LEVAIN): A MAGIA DA TRANSFORMAÇÃO DA FARINHA E DA ÁGUA

 


Sauerteig, como Levain, Massa Madre, Sourdough e longa fermentação

Um fermento natural, conhecido como Sauerteig, é uma mistura de farinha e água que passa por um processo de fermentação natural, catalisado por leveduras selvagens e bactérias lácticas, ou pela introdução de culturas iniciadoras específicas. Durante a fermentação, esses microrganismos quebram os açúcares complexos presentes na farinha, criando um ambiente ácido e produzindo ácido láctico e outros ácidos orgânicos. O Sauerteig geralmente possui um pH baixo, normalmente entre 3,5 e 4,5, devido à formação desses ácidos. Esse ambiente ácido inibe o crescimento de microrganismos prejudiciais e contribui para o desenvolvimento do sabor e da textura dos produtos assados.

Existem diversos nomes para o Sauerteig, como Levain, Massa Madre, Sourdough e longa fermentação, que refletem diferentes tradições e abordagens na sua produção. No entanto, é importante ressaltar que o termo "Sauerteig" ou "Sourdough" destaca principalmente a característica ácida da massa, resultante dos baixos valores de pH decorrentes da fermentação láctica.

É crucial destacar esse aspecto, pois o caráter ácido não apenas influencia o sabor e a textura do Sauerteig, mas também sua durabilidade e impacto nos produtos assados. Portanto, ao utilizar termos como "Sauerteig" ou "Sourdough", é fundamental enfatizar o pH ácido no contexto da fermentação e das propriedades resultantes do Sauerteig.


Pré-massas como Poolish, biga e sponga não são consideradas Sauerteige, mas sim tipos específicos de pré-fermentos utilizados na panificação. Ao contrário do Sauerteig, que é produzido pela fermentação natural de farinha e água com a ação de leveduras selvagens e bactérias lácticas, os pré-fermentos como Poolish e biga são feitos por meio de uma fermentação controlada com fermento biológico industrial ou culturas de Sauerteig.

Os pré-fermentos, como Poolish, são usados para fermentações mais longas, visando melhorar o sabor e a textura do pão. Embora possam ter funções semelhantes ao Sauerteig, como aprimorar o sabor, a textura e a durabilidade do pão, diferem em sua produção e nos processos microbianos envolvidos.

    Foto: Richemont_brasil

É importante que os Sauerteige sejam livres de aditivos químicos, como melhoradores, comumente utilizados em pães e produtos de padaria para obter resultados específicos. Ao medir o pH do pão, é possível avaliar a decomposição dos açúcares, da farinha e das proteínas (glúten), contribuindo para tornar o pão mais digerível e saudável. Embora a legislação sobre esse aspecto exista na Espanha, ainda é uma utopia no Brasil. No entanto, para padeiros profissionais, compreender a fermentação natural abre oportunidades no mercado e prepara para as tendências futuras.

Quer saber mais sobre: Melhoradores de Pão | Carlo Möckli: Da Suíça para Você (carlomockli.com)

Há diversos indicadores necessários para produzir uma massa fermentada natural autêntica. Mas é possível fazer isso em casa?


Sim, é possível, seguindo alguns passos cuidadosos. Idealmente, é recomendável iniciar com uma cultura inicial de sucesso. Caso não tenha uma cultura inicial, você pode começar assim para desenvolver seu fermento natural. Aqui estão os passos que você pode seguir:

Misture partes iguais de farinha e água em um recipiente limpo. É preferível usar farinha integral ou de centeio, pois contém mais nutrientes, enzimas e microrganismos que promovem a fermentação.
  1. Deixe a mistura em um local moderadamente quente, idealmente à temperatura ambiente (aproximadamente 20-25°C), e cubra com um pano limpo ou uma tampa solta para criar um ambiente propício ao crescimento de leveduras selvagens e bactérias lácticas.
  2. Após cerca de 24 horas, você deve observar os primeiros sinais de formação de bolhas, indicando o início da fermentação e a atividade das leveduras naturais e bactérias lácticas.
  3. Alimente regularmente seu fermento, removendo uma parte e adicionando farinha e água frescas. Isso promove o crescimento dos microrganismos desejados e ajuda a minimizar contaminações indesejadas.
Fique atento aos sinais de saúde do seu fermento, como formação ativa de bolhas, odor ácido agradável e consistência estável. Se notar alterações incomuns, pode indicar contaminações indesejadas. Embora o uso de uma cultura inicial seja mais confiável, é possível fazer um fermento sem ela, seguindo a fermentação natural e os passos mencionados.

Se você vive em um lugar com temperaturas elevadas e não consegue manter a temperatura ambiente entre 20 e 25°C, ainda é possível fazer o fermento. Aqui estão algumas maneiras de lidar com isso:


  1. Use um ambiente mais fresco, como um cômodo menos exposto à luz solar.
  2. Utilize ingredientes mais frios, como água gelada e farinha armazenada na geladeira.
  3. Reduza o tempo de fermentação para evitar que o fermento fique excessivamente fermentado ou ácido.
  4. Considere o uso de uma cultura inicial para estabilizar o processo de fermentação, independentemente da temperatura ambiente.
  5. Com esses ajustes e monitoramento cuidadoso, é possível obter sucesso mesmo em condições desafiadoras.

Água de Fermentação: A Essência Viva do Fabrico do Pão

A água de fermentação é o líquido misterioso que se forma num fermento natural e que contribui de forma decisiva para a arte da panificação. É um produto da fermentação natural, na qual bactérias lácticas e leveduras trabalham em perfeita harmonia para criar um meio vivo e aromático.

A formação da água de fermentação é um processo fascinante, baseado na fermentação natural de farinha e água. Assim que esses dois ingredientes são misturados, os microrganismos presentes no ar e na farinha começam a proliferar e a formar uma comunidade florescente. Durante esta fermentação, as bactérias e leveduras produzem uma variedade de compostos, incluindo álcool e ácidos orgânicos, que conferem ao fermento o seu sabor e textura característicos.

A manifestação do "Hooch", uma camada de líquido que se forma no fermento, é um sinal de que os microrganismos estão ativos e necessitam de alimento. Este líquido, também conhecido como água de fermentação, contém uma abundância de aromas e sabores que enriquecem o pão com um sabor inigualável e uma agradável acidez.

No entanto, a água de fermentação não é apenas importante para o sabor do pão, mas também para a sua textura e durabilidade. Os ácidos formados durante a fermentação ajudam a decompor o glúten na farinha e conferem ao pão uma miolo macia e arejada. Além disso, os ácidos funcionam como conservantes naturais, ajudando a manter o pão fresco por mais tempo.

Para produzir e cuidar da água de fermentação, é importante alimentar e cuidar regularmente do fermento. Através de alimentações regulares, os microrganismos são mantidos ativos e a qualidade do fermento é preservada. Se o fermento for negligenciado ou exposto a condições desfavoráveis, a água de fermentação pode morrer ou estragar, tornando o fermento inutilizável.

A água de fermentação é um elemento fascinante e indispensável da panificação, que não só melhora o sabor e a textura do pão, mas também encarna uma rica tradição e arte artesanal. É a essência viva que dá vida e caráter a cada pão, e uma prova da magia da fermentação natural.

Padeiros experientes também uam da “Hooch” para outras criações, para outras massas de pão, chucrute ou até mesmo para bebidas. Um segredo quase desconhecido.


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