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PÃO DE QUEIJO É PÃO? EU ESTOU COMEÇANDO A MUDAR DE IDEIA

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    Fonte imagem: https://moinhoglobo.com.br/ Durante muito tempo, para mim, a resposta técnica era bastante simples: Não leva farinha de trigo, não depende de uma rede de glúten e, principalmente, sua massa não passa pela fermentação que normalmente associamos à panificação. Não há levedura produzindo CO₂ para fazer a massa crescer. Sua expansão no forno ocorre por outros mecanismos. Portanto, tecnicamente, eu o colocava em outra categoria. Mas ciência tem uma característica que considero fundamental: quando aparece uma informação nova, precisamos estar dispostos a rever nossas próprias conclusões. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Comecei a olhar com mais atenção para o polvilho azedo . Ele não é simplesmente uma fécula de mandioca que retiramos da raiz, secamos e utilizamos. Existe um processo anterior muito interessante: a fécula passa por fermentação , seguida tradicionalmente de secagem ao sol. Essa combinação modifica profundamente suas propriedades. A ferment...

QUEM DÁ NOME ÀS MASSAS?

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                                            Torta Holandese O nome preserva a tradição. A técnica explica o produto. Na confeitaria aprendemos muitos nomes: Hollandaise, Frangipane, merengue francês, suíço, italiano, biscuit, génoise, sablé, pâte sucrée … Mas existe uma pergunta que raramente fazemos: Quem decidiu esses nomes – e o que eles realmente nos ensinam sobre a massa? Muitos nasceram da tradição profissional, de regiões, países, escolas ou sistemas de formação. Isso faz parte da história da confeitaria e merece ser preservado. O problema começa quando o nome substitui a compreensão. Saber executar uma receita chamada Hollandaise não significa necessariamente compreender por que ela funciona. É exatamente aí que começa a Doce Ciência . HOLLANDAISE: O QUE EXISTE POR TRÁS DO NOME? Uma formulação clássica de Hollandaise pode apresentar uma arquitetura muito interessante: m...

CHOCOLATE, COUVERTURE OU COMPOUND? A NOVA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA AJUDA A ENTENDER

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    No supermercado e nas lojas especializadas encontramos produtos chamados chocolate, chocolate nobre,  couverture de chocolate,  cobertura fracionada, profissional, premium e muitos outros nomes. Para quem trabalha com confeitaria e chocolataria, isso pode gerar uma enorme confusão. Mas existe uma pergunta muito mais útil do que procurar palavras bonitas na embalagem: QUAL GORDURA FORMA A ESTRUTURA DESSE PRODUTO? É aqui que começamos realmente a compreender chocolate. A NOVA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA A Lei nº 15.404/2026 trouxe novas definições para produtos derivados do cacau no Brasil. Para ser denominado chocolate , o produto deverá apresentar pelo menos 35% de sólidos totais de cacau , incluindo no mínimo 18% de manteiga de cacau e 14% de sólidos de cacau isentos de gordura . A lei também permite a utilização de outras gorduras vegetais autorizadas, limitadas a 5% do produto final . Outro avanço importante é a informação da porcentagem de cacau na parte frontal...

A CRISTALIZAÇÃO NÃO É EXCLUSIVA DO CHOCOLATE

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    Quando falamos em cristalização, quase todo confeiteiro pensa imediatamente em chocolate. Todos sabem que a manteiga de cacau precisa ser pré-cristalizada (temperagem) para que o chocolate apresente brilho, contração, quebra limpa e derretimento perfeito. Isso já faz parte da rotina da chocolataria. Mas por que esse conhecimento termina no chocolate? A manteiga também é uma gordura e também cristaliza. Embora a gordura do leite seja muito mais complexa do que a manteiga de cacau, sua cristalização influencia diretamente o resultado final. Uma manteiga bem preparada e plastificada apresenta uma rede fina e homogênea de cristais. Isso a torna plástica, flexível e capaz de se distribuir uniformemente entre as camadas da massa. O resultado são croissants e folhados com laminação mais regular, melhor desenvolvimento, maior volume e um miolo alveolado mais bonito. Quando a manteiga está dura demais, mole demais ou com uma cristalização inadequada, ela quebra durante a abe...

QUANDO TODOS SÃO PROFISSIONAIS, NINGUÉM MAIS É PROFISSIONAL

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    Imagine um campo de futebol. De um lado, uma criança de seis anos corre feliz atrás da bola. Do outro, um atleta disputa a final da Liga dos Campeões diante de milhares de torcedores. Os dois jogam futebol. O nome é o mesmo. As regras são as mesmas. O campo é o mesmo. O que muda é o nível de conhecimento, treinamento, experiência e desempenho. Por isso existem categorias de base, amadores, ligas regionais e profissionais. Ninguém espera que uma criança jogue na mesma categoria de um atleta de elite. Agora imagine se qualquer pessoa pudesse se apresentar como jogador da seleção, treinador campeão do mundo ou árbitro da FIFA, sem formação, sem experiência e sem qualquer reconhecimento profissional. Quanto tempo esses títulos manteriam o seu valor? Infelizmente, algo semelhante acontece em parte da gastronomia. A panificação, a confeitaria e a chocolataria possuem terminologia internacional, definições técnicas e princípios consolidados. Um biscuit continua sendo um biscuit ...

Dois pães, a mesma receita. Resultados completamente diferentes.

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Imagine duas padarias preparando exatamente a mesma receita: farinha de trigo; água; fermento; sal. Os ingredientes são idênticos. A farinha é a mesma. A quantidade de água é a mesma. O padeiro utiliza o mesmo forno. Mesmo assim, um pão pode ser melhor tolerado pelo organismo do que o outro. A diferença não está na receita. Está no processo . Pão A – Fermentação rápida A massa fermenta durante aproximadamente uma hora. Essa é a realidade de muitas padarias brasileiras. Quanto menor o tempo de produção, maior a produtividade e menor o custo. O pão fica bonito, macio e vende bem. Porém, durante uma fermentação curta, diversas transformações bioquímicas acontecem apenas parcialmente. O amido permanece mais disponível para digestão rápida, o ácido fítico é pouco degradado, parte dos FODMAPs continua presente e a formação de compostos aromáticos é limitada. O resultado pode ser um pão com sabor menos complexo e que algumas pessoas relatam digerir com mais dificuldade.   Pão B – Fermenta...

COMO ESCOLHER A FARINHA CERTA NO SUPERMERCADO?

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  O que todo padeiro e confeiteiro iniciante deveria saber Você já reparou que muitas pessoas escolhem a farinha apenas pela marca ou pelo preço? Na verdade, uma das decisões mais importantes da panificação acontece antes mesmo de começar a preparar a massa: a escolha da farinha . Infelizmente, a maioria das embalagens vendidas nos supermercados brasileiros informa muito pouco sobre a qualidade da farinha. Quase nunca encontramos dados como força (W), índice P/L ou capacidade de absorção de água, informações que são fundamentais para os profissionais. Mas isso não significa que você precise escolher a farinha no escuro. O que é a força da farinha? A força da farinha, representada pela letra W , indica sua capacidade de formar uma rede de glúten resistente durante a mistura e a fermentação. Quanto maior o valor de W, maior costuma ser sua capacidade de: absorver água; suportar misturas mais longas; resistir à fermentação; reter os gases produzidos pelo fermento. Em outras palavras, ...