Mas, quando descobriram que eu tinha trabalhado para a então família real da Inglaterra, tudo mudou. Os olhos brilharam. As perguntas também. Só queriam saber de histórias da rainha, das encomendas, da vida no palácio. A ciência que eu tanto insistia em ensinar perdeu para o brilho do marketing real. Era surreal ver como a curiosidade culinária se transformava em entusiasmo por fofocas gastronômicas nobres.
No fundo, era um retrato da época. O Brasil ainda era muito orientado a receitas, a nomes famosos, a “quem fez o quê”. O conhecimento técnico ficava sempre em segundo plano, quase tímido.
Hoje, felizmente, o cenário mudou. Profissionais querem saber o porquê, estudam processos, questionam, testam, comparam e discutem ciência com naturalidade. A fama perdeu espaço para a compreensão. Evoluímos.
E sempre que vejo essa reportagem antiga, lembro com um sorriso: naquele dia, eu queria ensinar química… mas acabei ensinando que, para muitos, confeitaria científica ainda não competia com o encanto de dizer “conheci o confiseur da rainha”.
Como o tempo muda as pessoas e ainda bem.

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