QUANDO TODOS SÃO PROFISSIONAIS, NINGUÉM MAIS É PROFISSIONAL
Imagine um campo de futebol.
De um lado, uma criança de seis anos corre feliz atrás da bola. Do outro, um atleta disputa a final da Liga dos Campeões diante de milhares de torcedores.
Os dois jogam futebol.
O nome é o mesmo. As regras são as mesmas. O campo é o mesmo. O que muda é o nível de conhecimento, treinamento, experiência e desempenho. Por isso existem categorias de base, amadores, ligas regionais e profissionais. Ninguém espera que uma criança jogue na mesma categoria de um atleta de elite.
Agora imagine se qualquer pessoa pudesse se apresentar como jogador da seleção, treinador campeão do mundo ou árbitro da FIFA, sem formação, sem experiência e sem qualquer reconhecimento profissional.
Quanto tempo esses títulos manteriam o seu valor?
Infelizmente, algo semelhante acontece em parte da gastronomia.
A panificação, a confeitaria e a chocolataria possuem terminologia internacional, definições técnicas e princípios consolidados. Um biscuit continua sendo um biscuit. Uma ganache continua sendo uma ganache. Um croissant continua sendo um croissant. A ciência não muda de acordo com a opinião de cada um.
O problema surge quando a profissão não é regulamentada. De repente, qualquer pessoa pode adotar títulos como chef, mestre, professor, CEO ou especialista. Para quem está começando, isso pode parecer convincente. Afinal, como distinguir quem estudou durante décadas de quem apenas escolheu um título para si?
O profissional experiente normalmente percebe a diferença em poucos minutos. O iniciante, porém, ainda não possui referências para fazer essa avaliação.
Por isso, vale uma reflexão: escolha aprender com quem demonstra conhecimento, não apenas com quem ostenta um título.
Na gastronomia, a competência não aparece no cartão de visitas. Ela aparece na qualidade do produto, na capacidade de resolver problemas, na compreensão da química, da física e da biologia dos alimentos e na habilidade de explicar o porquê de cada processo.
No futebol, o jogador prova seu valor dentro de campo.
Na panificação, confeitaria e chocolataria, o profissional prova seu valor no resultado do seu trabalho.
Os títulos podem impressionar por alguns instantes.
O conhecimento, a técnica e a competência permanecem por toda a vida.

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