Chefe suíço ajuda a criar negócios no Brasil

 

                                         A Torta caipirinha, criado por mim, em homenagem ao Brasil


Se você quiser saber mais sobre mim:
Uma entrevista de uma revista Suíça há alguns anos, aqui está uma versão resumida.
Entrevista: Por Mirela Tavares, Swissinfo

swissinfo.ch:
Filho de mãe italiana e pai suíço, o chef Carlo Möckli cresceu e se profissionalizou na Suíça, em um universo reconhecido pela excelência em gastronomia, conhecimento e inovação.

Uma bagagem que, ao contrário de outros especialistas da área, ele faz questão de dividir com os que se interessam pelo tema, principalmente os pequenos e médios empreendedores brasileiros, que fazem parte hoje de um grupo produtivo de importância fundamental para impulsionar a economia do país.

O trabalho de Möckli contribui para dar novos rumos àqueles que querem abrir seu próprio negócio.
Muitas dessas pessoas são motivadas por identificarem uma chance de negócio, como a que Möckli vem descortinando no Brasil – a produção de chocolate como alternativa de emprego e renda. Confeiteiro, Chocolateiro e Consultor suíço com Mestrado em confeitaria e chocolataria, Möckli tem a transmissão de conhecimento gastronômico como missão pessoal. Para ele, que já chegou a ser premiado com um selo da rainha da Inglaterra, a realização profissional está no sorriso das pessoas, principalmente de jovens, que com os seus ensinamentos tem ajudado a direcionar para novas oportunidades pessoais e de trabalho.
Diferentemente de outros chefs, Möckli não tem nenhum receio em contar seus segredos gastronômicos. Para ele não há receitas que não possam ser reveladas nem limites para o ensino.

swissinfo.ch: É verdade que você sempre sonhou em trabalhar no Brasil?
Carlo Möckli.: Sim, é verdade, é um sonho realizado. Minha esposa é brasileira. Depois de morarmos 18 anos na Europa, decidimos nos mudar para o Brasil.

swissinfo.ch: Quais as principais dificuldades para trabalhar no país e para se adaptar aos hábitos locais, clima, política, economia?
C.M.: A maior dificuldade para trabalhar foi adaptar o que faço ao sabor brasileiro. As receitas dos meus bolos e tortas eram todas suíças. Depois de muitos fracassos, descobri que para o brasileiro meus produtos eram considerados light ou diet, porque não tinham tanto açúcar. Até chegar ao Brasil, eu nunca tinha sequer visto uma lata de leite condensado. Só quando dobrei a quantidade de açúcar nas receitas comecei a ter sucesso. Nunca tive problema com o clima (gosto muito do calor) ou com as pessoas.

swissinfo.ch: Você já teve até uma linha de chocolates premiada com o selo da rainha Elizabeth II, mas seu trabalho se dirige muito para projetos de empreendedorismo ou para crianças e pessoas com renda per capita mais baixa (a chamada classe C). O que o motiva?
C.M.: Eu adoro educar e acredito que quanto mais cedo se aprende, melhor. As crianças merecem e gosto de ver a alegria no rosto delas. Me sinto muito mais como um pai do que como um mestre ou professor. Gosto muito de crianças! Sempre tratei as pessoas de forma igual e individual, independentemente se são crianças ou a rainha da Inglaterra. Fazer essas coisas me coloca em harmonia com meu coração e minha missão pessoal. É muito recompensador.

swissinfo.ch: Quais são os cursos que oferece?
C.M.: Ministro cursos de confeitaria, padaria e chocolataria em escolas de gastronomia. Sou consultor para diversas empresas no Rio de Janeiro e pelo Brasil afora, além das aulas particulares. Tenho muito interesse em passar meu conhecimento de.

swissinfo.ch: Qual o perfil dos participantes?
C.M.: Qualquer pessoa que tenha interesse nessas áreas, sejam profissionais sejam donas de casa, ou ainda aqueles que querem mudar de atividade profissional. Ensino tanto para pessoas que querem abrir um negócio em casa como para redes de hotéis cinco estrelas. Meu ensinamento vai desde a receita até o plano de marketing.

swissinfo.ch: Recentemente você foi destaque em uma longa reportagem de um programa da Rede Globo, mostrando como brasileiros podem empreender e aumentar a renda produzindo chocolate. O que o levou a contribuir para o empreendedorismo no país?
C.M.: O brasileiro tem muita criatividade e talento na área da gastronomia, mas precisa do conhecimento profundo dos princípios que a regem. São poucos os que têm acesso a esse tipo de informação e normalmente quando ficam ricos e famosos não gostam de compartilhar o que aprenderam. Mas parte da minha missão pessoal é popularizar esse conhecimento.

swissinfo.ch: Você oferece cursos para públicos muito diversos, como prepara a sua metodologia. Como as pessoas menos informadas acompanham o curso?
C.M.: Muitas pessoas, alunos, clientes, amigos e família me dizem que sei ensinar tanto para uma pessoa iletrada como para educadores e profissionais. Já tive ajudantes de todas as classes sociais e alunos de todas as profissões imagináveis, de médicos a joalheiros, além de psicólogos, engenheiros e donas de casa.

swissinfo.ch: Mas você trabalha com alguma metodologia específica?
C.M.: A metodologia que uso é fundamentada nos ensinamentos de Stephen R. Covey, autor dos “Sete Hábitos de Pessoas Muito Eficazes”. Nas consultorias ajudo as pessoas a criarem uma missão pessoal e uma missão da empresa, planejamento do uso do tempo, além do plano de marketing, sem falar nos princípios da confeitaria, chocolataria e padaria, receitas, compras e utensílios e matéria-prima, planta baixa ou ainda como adaptar seu espaço em um espaço profissional. Minha missão profissional é ensinar e passar todo o meu conhecimento para os brasileiros.

swissinfo.ch: Você tem algum dado sobre o desempenho dos seus alunos depois dos cursos? Se eles abriram novos negócios, se continuaram na área de gastronomia?
C.M.: Várias pessoas me seguem como discípulos, pedem consultorias após os cursos. Muitos se tornaram os melhores profissionais em suas cidades ou abriram seus próprios negócios. Outros se tornaram amigos pessoais. Hoje em dia, com as redes sociais, é muito fácil acompanhar o trabalho de cada um, os desafios e as vitórias, e eu tenho muito orgulho deles!

swissinfo.ch: Qual conselho você dá para quem quer trabalhar com gastronomia no Brasil?
C.M.: Gastronomia é um leque muito grande, mesmo assim, você tem que gostar de trabalhar com pessoas, de servir e de criar uma atmosfera especial. Você tem que estar disposto a trabalhar quando os outros estão de folga, tem que ser criativo, ir para uma boa escola de gastronomia, escolher uma área, correr atrás do conhecimento e fazer muitos cursos.

swissinfo.ch: E para quem quer se especializar lá fora, como é essa concorrência profissional?
C.M.: Todo mundo conhece as escolas de renome, como Lenôtre ou Le Cordon Bleu, mas seria excelente não só fazer um curso, mas trabalhar lá fora, ter uma experiência internacional. É bom conhecer pessoas que têm formação no exterior, ouvir sobre a realidade do que é ser um chef lá fora, e não apenas ter a ilusão do que a televisão, por exemplo, apresenta.

swissinfo.ch: Para fazer produtos como o chocolate, a matéria-prima faz toda a diferença. É possível encontrar (e onde) bons materiais para produção gastronômica no Brasil ou é preciso importar?
C.M.: Isso é uma coisa que me faz sofrer. O Brasil tem tudo para ter excelentes produtos, como o chocolate, mas a qualidade do chocolate brasileiro precisa melhorar muito. Há matéria-prima, o que não há é vontade de produzir qualidade e pagar por isso. Porém, o brasileiro paga por produtos importados, e isso é uma daquelas coisas que não entendo. Quanto a encontrar bons produtos, é possível sim, principalmente pela riqueza natural, a imensa variedade de frutas, castanhas e outras coisas que o mundo está começando a conhecer e que são um trunfo muito grande para o Brasil.

swissinfo.ch: Quais produtos típicos do Brasil que poderiam diferenciar uma produção de chocolate no mundo?
C.M.: Quem sabe o cupuaçu, que é primo longínquo do cacau, vai revolucionar o mundo do chocolate? No mercado já existe chocolate de cupuaçu. A opção de recheios brasileiros é infinita, como a cachaça brasileira, o pequi, caju, cajá, açaí, castanha de caju, bacuri e muitos outros.

swissinfo.ch: Você já deu uma entrevista dizendo que a vantagem da Suíça em fazer um dos melhores chocolates do mundo está nos Alpes. Você vê alguma vantagem nas características do Brasil para produzir chocolate?
C.M.: A Suíça não produz cacau. O que a Suíça tem é o conhecimento para misturar os melhores tipos de cacau do mundo com a tecnologia apropriada. Os Alpes suíços são uma benção de Deus! Com uma grama orgânica, cheia de flores e ervas típicas, e vacas que produzem um leite excelente e com muito sabor, a Suíça pode fazer queijos e chocolate de altíssima qualidade. Existem três tipos principais de cacau: Forasteiro, Trinitário e Criollo. Os suíços sabem misturar os três de forma muito harmônica.

swissinfo.ch: Na sua família há mais alguém que seguiu a carreira da gastronomia
C.M.: Não. Sou o único! Apesar de minha mãe italiana (meu pai era suíço) ter sido uma excelente cozinheira (ainda hoje faço gnocchi e pasta com as receitas dela) e minha irmã cozinhar divinamente, nenhum deles seguiu essa área.


O link para o texto original:
Entrevista: Por Mirela Tavares, Swissinfo

http://www.swissinfo.ch/por/chefe-su%C3%AD%C3%A7o-ajuda-a-criar-neg%C3%B3cios-no-brasil/38485924



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