Farinha de Centeio: uma aula
Foto: Richemont Fachschule
As propriedades das farinhas de trigo e centeio são diferentes. Existem diferenças distintas nas técnicas de confecção da massa, no comportamento da massa durante o cozimento e na consistência. Na massa de farinha de trigo a ligação acontece por causa de duas proteínas insolúveis chamadas gliadina e glutenina, que criam o glúten. Com a farinha de centeio, os responsáveis pela formação da massa são os criadores de viscosidade, chamados pentosanas e os amidos.
A
ligação da farinha de centeio acontece numa temperatura baixa e no
aumento das atividades nas enzimas da farinha. Para isso é
necessário um aumento na acidez da massa. Tudo isso é necessário
para afofar a massa e criar um produto ideal.
Pentosanas
são responsáveis pela ligação de água:
Massas
feitas com farinha de trigo têm uma extrutura elástica e expansiva.
Ao contrário das massas feitas com farinha de centeio, que têm
superfícies úmidas e modeláveis. O motivo para isso são as
proteínas da farinha de centeio.
Apesar
do centeio ter proteínas parecidas com gliadina e glutenina, essas
proteínas não são formadoras de extrutura. Os elementos criadores
de viscosidade (pentosanas) inibem a formação das proteínas que
formam o glúten. Por isso não é possível “lavar o glúten”
nas massas feitas com farinha de centeio.
Regulação
das atividades das enzimas:
Ácidos
e sais regulam as atividades das amilases. As amilases são quase que
totalmente ineficazes nos valores de pH entre 4,0 e 4,1. Uma crosta
modelável é criada através do uso de pré-massas construtoras de
ácidos (ver receita de pão de centeio), que juntamente com uma
crosta crocante
Com
o uso de pré-massas de alta acidez (veja receita de “Pão de
Centeio”) cria-se um miolo elástico, que juntamente com uma crosta
forte resulta num sabor agradável e levemente azedo, que é uma
marca característica desses produtos. Para os pães de centeio a
acidez é absolutamente necessária para produzir um produto com as
propriedades de panificação.
Enzimas
quebram mais rápido o amido do centeio:
Para
a construção da crosta do pão é absolutamente necessário haver
uma capacidade de aglutinação durante o processo de cozimento. A
diferença do teor de amido contido nas massas feitas com centeio e
trigo é muito pequena, apesar da capacidade de aglutinação do
amido do centeio acontecer entre 55°C a 70°C e a do trigo só entre
60°C a 85°C. Por isso o tempo de ação da amilase é prolongado
(as enzimas têm mais tempo para decompor e quebrar o amido). A
decomposição enzimática aumenta. Quanto mais amido de centeio é
quebrado pela amilase, tanto menor será a capacidade de aglutinação
do amido na massa. A quebra do amido resulta numa estrutura fraca, o
pão fica gorduroso e grudento. O pão fica cru e oco.

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